domingo, 28 de fevereiro de 2010

Lei de Murphy adaptada a elevadores

Com um misto de mistério e drama no ar, acordas num elevador, completamente só...
O elevador está parado e por isso imaginas que com o facto de teres ficado preso, terás desmaiado devido ao susto...
Ligas para a assistência do elevador - cuja marca não vamos revelar para salvaguardar eventuais represálias ;o) - e dizes o óbvio:
"Estou preso dentro de um dos vossos aparelhos, sito no prédio X da rua Y. Podem ajudar-me?". Naturalmente, do outro lado, alguém te responde "Claro, vamos enviar imediatamente um piquete!", ou "Insira esta sequência de nº do teclado de andares para fazer um reset ao elevador" ou até "vamos entrar em contacto com os bombeiros para que possam ajuda-lo" certo?

NÃO!             (querias...)

Do outro lado, o assistente que recebe um telefonema de alguém que se encontra preso num dos aparelhos, responde com uma calma dos diabos: "Lamento, esse elevador ainda está em testes e por isso não prestamos assistência".
Bom, já de si e sem conhecer o resto da história, há uma questão que se impõe: quão estúpido é que isto parece?!
Pois parece... mas não chega!

Ao ouvir tal resposta, e ao invés de enumerar todos os nomes ofensivos que te chegam ao cérebro em menos de nada, fazes aquela que deve ser a pergunta mais coerente do universo para fazer em situações destas: "Quanto tempo é que me resta de ar?" (wtf?!?!)
E não é que do outro lado te respondem "cerca de 30min"

Porra, pausa!
Já não vou comentar a construção do 1º elevador estanque da história da humanidade, mas gostava de salientar que, por muito mau que fosse o dia do gajo que atendeu o telefone, que merda de resposta é esta? Uma pessoa presa num elevador, que está em testes e por isso pode ser um perigo eminente, só tem 30 min de ar para sobreviver e a tua resposta é "está em testes e por isso não prestamos assistência?!" - que comédia... mas também não chega!

Ao ouvir isto, passas-te: "Mas se tenho 30 min de ar apenas e os bombeiros da cidade XX demoram 40min a chegar (q coincidência do car"#$%lho), então vou morrer?" e o gajo responde "pois, não sei" ARGGGGGGGGGGGGGGG!!!!!

Bom, desligas o telefone e reparas que o amigo que está contigo... ALTO!! Não tinhas acordado sozinho?!?!? Bom, talvez te tenhas enganado. Talvez estivesse um amigo contigo no elevador que, não só se estava a cagar pra ti enquanto desmaiaste - porque não te ajudou a acordar - como também não sentiu necessidade de aparecer na história, até agora.
Tuuuudo bem. Também a esta altura do campeonato, já acredito em tudo.

Então o teu "recente" amigo, que por acaso é dado às engenharias (?!?) descobre umas alavancas e abre o elevador... MAU... vamos lá a ver uma coisa...
Em 1º lugar, o que é que interessa o raio das engenharias?! É suposto dar credibilidade à coisa? Não é preciso ser engenheiro aeroespacial para descobrir alavancas num compartimento de 2x2m, se as houver. E eis o ponto 2, se as houver, porque é natural que o 1º elevador estanque da histório tenha alavancas para qualquer atrasado mental dado às engenharias poder abri-lo, quem sabe até em andamento...

Adiante...

Ao abrir as portas, entre o 2º e o 3º andar, o amigo (que rapidamente passa de discreto invisível a herói da história) começa a sair do elevador e eis senão quando... (la piece de resistance) o elevador começa a andar e por milímetros não corta o amigo ao meio!!!

Bem, o que nos ensina esta história?? Algumas lições de vida:
- mesmo que estejas a morrer, estou-me a cagar se o elevador estiver em testes
- os verdadeiros amigos não querem saber de ti quando desmaias
- após o tratado de Bolonha, qualquer curso de engenharia tem uma cadeira AAE (alavancas de abertura de elevadores)


Esta história é dedicada a uma das - senão A - melhor Jorgina que já tive o previlégio de conhecer.

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